ANOTAÇÕES - AULAS 1 A 5

AULA 1

Ciências sociais – tem o ser humano como objeto de estudos, sob a perspectiva da vida em sociedade.

  • Ciências sociais básicas: sociologia (relações sociais, estruturas sociais, estruturas de pensamento, os fatos sociais), ciência política (relações de poder, notadamente, o poder político instituído) e antropologia (as diferentes culturas de diferentes sociedades).
  • Objeto de estudos das ciências sociais: o ser humano como ser social.

A novidade da Era Contemporânea (século XIX): trata-se de um esforço por conjugar a observação racional com aquilo que é empiricamente demonstrado => esforço científico, no moderno sentido da palavra.

Ser humano: ser social

  • Ser humano: ser social; inserido em relações com outros seres humanos; modificando a natureza; vivendo de acordo com hábitos, costumes e valores.
  • O ser humano não age apenas por instinto; trata-se de um ser sociocultural.
  • Socialização: processo em que os indivíduos assimilam as normas, os valores, os hábitos e as expectativas de um grupo social.

Educação e socialização

  • Educação (formal e informal) como aspecto fundamental da socialização.

O contexto histórico do surgimento das ciências sociais

  • Ciência moderna, Revolução Industrial, Revolução Francesa (1789) e Cultura filosófica iluminista.
  • Consolidação do capitalismo, configurando uma nova realidade social, que desafia o conhecimento humano acerca da sociedade e da cultura.

A Sociologia

  • Sociologia como área do saber científico dedicada ao estudo dos aspectos sociais da vida dos seres humanos, dos fatos sociais, das relações sociais e das instituições sociais.

Comte e o Positivismo

  • Augusto Comte (1798-1857): proposta de uma física social, baseada nos métodos das ciências naturais e com o propósito de encontrar leis universais dos fenômenos sociais.
  • O positivismo de Comte: ordem e progresso.

A ordem era entendida por Comte como movimento estático, responsável pela preservação dos elementos permanentes de toda organização social, ou seja, as instituições que mantinham a coesão e garantiam o funcionamento da sociedade: a família, a religião, a propriedade, o direito, etc. O progresso era entendido como movimento dinâmico, que representaria a passagem para formas mais complexas de existência, como a Industrialização. A relação entre os dois movimentos seria a de privilegiar o estático sobre o dinâmico, a conservação sobre a mudança. Assim, para Comte, o progresso destinava-se a aperfeiçoar a ordem, e não destruí-la.

Críticas ao positivismo

  • Diferenças entre as ciências naturais e as ciências sociais.
  • Sociedades: criadas pelas ações humanas e historicamente construídas.
  • Nas ciências sociais, o pesquisador está necessariamente inserido em seu objeto de estudos.

REFERÊNCIAS

  • ARON, Raymond. As etapas do pensamento sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 1982.
  • MARTINS, C. B. O que é sociologia? São Paulo: Brasiliense, 1988.

ATIVIDADE:

Relacione adequadamente o surgimento das ciências sociais com as transformações históricas dos séculos XVII e XVIII.

RESPOSTA: As Ciências Sociais, no século XIX, surgiram num momento de desagregação da sociedade feudal e consolidação da sociedade capitalista. O que propiciou o seu nascimento foram as transformações econômicas políticas e culturais que ocorreram no século XVIII, como consequência das Revoluções Francesa e Industrial, que iniciaram e possibilitaram a formação de um processo de instalação definitiva da sociedade moderna. O seu surgimento aconteceu a partir da necessidade de se realizar uma reflexão sobre as transformações, crises e antagonismos de classes, experimentados pela nascente sociedade industrial.

AULA 2

Antropologia

- O que é?

  • A humanidade constitui o objeto de conhecimento da antropologia: seu interesse volta-se para a diversidade de formas de cultura.

- A concepção evolucionista

  • Predomínio da noção evolucionista entre os primeiros antropólogos: pressuposto de uma humanidade que percorre um único caminho cultural.
  • Para o evolucionismo, as sociedades humanas atravessam as mesmas etapas, sendo a moderna civilização ocidental o seu patamar superior.

- Alteridade e etnocentrismo

  • A noção de alteridade consiste na relação do eu com o outro, isto é, diz respeito ao jogo identidade/diferença.
  • O olhar etnocêntrico situa a sociedade do observador no centro do universo; os membros de uma sociedade tendem a considerar como naturais e corretos os costumes, as regras, os valores, as práticas, enfim, a visão de mundo da sua sociedade.

- O rompimento com o evolucionismo

  • Para as novas tendências antropológicas, as outras culturas passam a interessar não mais como exemplares de uma etapa da evolução social, mas sim como totalidades sociais próprias.

- Cultura

"Os antropólogos estão totalmente convencidos de que as diferenças genéticas não são determinantes das diferenças culturais. [...] Em outras palavras, se transportarmos para o Brasil, logo após o seu nascimento, uma criança sueca e a colocarmos sob os cuidados de uma família sertaneja, ela crescerá como tal e não se diferenciará mentalmente dos seus irmãos de criação [...]” (LARAIA, 1988, p. 17-18).

  • Caráter de aprendizado da cultura em oposição à ideia de aquisição inata, transmitida por mecanismos biológicos.
  • Em sua larga acepção antropológica, a palavra cultura remete-nos a todas as elaborações humanas que excedem o que é oferecido pela natureza.
  • Os homens são essencialmente seres culturais: os comportamentos, os sentimentos e os pensamentos humanos são profundamente condicionados pela cultura em que estão inseridos.
  • Diferentemente dos demais animais, cujas vidas são rigorosamente regidas pela natureza, os seres humanos desenvolvem-se em universos culturais.
  • A incorporação dos indivíduos à cultura processa-se mediante a socialização das novas gerações, movimento pelo qual valores, regras e condutas são transmitidos e internalizados.

REFERÊNCIAS

  • LAPLANTINE, François. Aprender antropologia. São Paulo: Brasiliense, 1992.
  • LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988.

ATIVIDADE:

Considerando a conceituação antropológica do termo cultura, explique a seguinte afirmação: Os seres humanos se humanizam com a aquisição da cultura.

RESPOSTA: Pode-se afirmar a educação como o processo de apropriação da cultura humana resultado da atividade efetiva do homem sobre os objetos e o mundo circundante mediados pela comunicação.

Segundo Marx, o humano é o resultado do entrelaçamento do aspecto individual, no sentido biológico, e social, no sentido cultural. Ou seja, ao se apropriar da cultura e de tudo o que a espécie humana desenvolveu – e está fixado nas formas de expressão cultural da sociedade – o homem se torna humano. Dessa forma, assume uma concepção do ser humano em seu processo de desenvolvimento, o que significa compreender o mesmo no movimento histórico da humanidade, tanto nas dimensões filogenética como ontogenética. Esse fundamento permite a realização de uma análise teórica da natureza social do homem e do seu desenvolvimento sócio-histórico.

AULA 3

A Teoria Sociológica de Émile Durkheim

  • Émile Durkheim (1858-1917): Concepção da sociedade como um organismo formado por várias partes integradas e coesas.
  • Fatos sociais como objeto de estudos da sociologia.
  • Fatos sociais entendidos como coisas, à medida que podem ser investigados objetivamente.
  • Os fatos sociais são coercitivos, impondo-se sobre os indivíduos, que se adequam às normas e aos valores da sociedade (coercitividade).
  • Os fatos sociais são exteriores aos indivíduos, isto é, independem das vontades individuais ou de adesões individuais conscientes (exterioridade).
  • Os fatos sociais são gerais, impondo-se a todos os indivíduos ou, pelo menos, à maioria deles (generalidade).
  • Para Durkheim, mesmo os fenômenos aparentemente individuais somente podem ser compreendidos a partir da noção de fato social.
  • Fato social envolvendo as maneiras de pensar, sentir e agir.

Solidariedade Mecânica

  • Prevalece nas sociedades pré-capitalistas.
  • Sociedades mais simples, com menor número de relações sociais.
  • Crenças e valores comuns como elementos integradores.
  • Numa sociedade de solidariedade mecânica, o indivíduo estaria ligado diretamente à sociedade, sendo que enquanto ser social prevaleceria em seu comportamento sempre aquilo que é mais considerável à consciência coletiva, e não necessariamente seu desejo enquanto indivíduo. Nesse tipo de solidariedade mecânica de Durkheim, a maior parte da existência do indivíduo é orientada pelos imperativos e proibições sociais que vêm da consciência coletiva.

Solidariedade Orgânica

  • Prevalece nas sociedades modernas.
  • Sociedades complexas, com maior número de relações sociais.
  • A individualidade é aceita pela sociedade.
  • Divisão do trabalho como elemento integrador.
  • Na solidariedade orgânica ocorre um enfraquecimento das relações coletivas contra a violação das proibições e, sobretudo, uma margem maior na interpretação individual dos imperativos sociais. Na solidariedade orgânica ocorre um processo de individualização dos membros dessa sociedade, os quais assumem funções específicas dentro dessa divisão do trabalho social. Cada pessoa é uma peça de uma grande engrenagem, na qual cada um tem sua função e é esta última que marca seu lugar na sociedade. A consciência coletiva tem seu poder de influência reduzido, criando-se condições de sociabilidade bem diferentes daquelas vistas na solidariedade mecânica, havendo espaço para o desenvolvimento de personalidades. Os indivíduos se unem não porque se sentem semelhantes ou porque haja consenso, mas sim porque são interdependentes dentro da esfera social.

A Educação na Teoria Sociológica de Émile Durkheim

  • Educação como fato social: transmissão e imposição de conteúdo, valores, normas e ideias.
  • Valorização das instituições pedagógicas na promoção da coesão social.

A concepção sociológica de Karl Marx

  • Karl Marx (1818-1883): materialismo dialético e teoria sociológica do conflito.
  • Articulação entre relações de produção e forças produtivas (modo de produção) constituindo a infra-estrutura das sociedades.
  • Superestrutura: normas, valores, ideias, leis, moral, ética, religião, arte, enfim, o conjunto político e ideológico da sociedade.
  • Contradições sociais, luta de classes e transformações históricas.
  • Sociedade capitalista: mais-valia e alienação.

REFERÊNCIAS

  • ARON, Raymond. As etapas do pensamento sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 1982.
  • DURKHEIM, Émile. Grandes cientistas sociais. São Paulo: Ática, 1995.

ATIVIDADE:

Em que medida é certo afirmar que, para Durkheim, a educação é imprescindível para a coesão social?

RESPOSTA: Durkheim entendia que a educação era um fator de coesão social. Acreditava que a educação era elemento principal que recuperaria a ordem social e os professores teriam como função a constituição de uma moral quase que inexistente na sociedade de então. Considerava que a educação em cada sociedade possuía aspectos múltiplos e unos ao mesmo tempo - pois em cada sociedade haveria um tipo específico de educação com múltiplos aspectos inerentes a ela mesma e aos costumes daquele povo.

AULA 4

Karl Marx: o conceito de ideologia

  • “A moral, a religião, a metafísica e todo o resto da ideologia, assim como as formas de consciência que lhe correspondem, perdem logo toda aparência de autonomia. Não têm história, não têm desenvolvimento; são, ao contrário, os homens que, desenvolvendo sua produção material e suas relações materiais, transformam, com esta realidade que lhes é própria, seus pensamentos e os produtos do seu pensamento. Não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência” (MARX, K. e ENGELS. 1998, p. 19-20).
  • Em sociedades divididas entre proprietários e não proprietários, a classe social dominante controla a produção, a circulação e a distribuição das ideias.
  • Ideologia como inversão do real, véu que encobre a realidade social e suas contradições.
  • A ideologia mantém os interesses da classe dominante e oculta as relações de exploração, favorecendo a permanência do modo de produção vigente.

A concepção marxiana de educação

  • A concepção marxiana de educação vincula-se à sua tese sobre a superação da humanidade alienada e a instauração de uma sociedade caracterizada pela propriedade social dos meios de produção.
  • Educação entendida como plena realização da humanidade, no desenvolvimento de suas capacidades físicas e intelectuais.

A Sociologia de Marx Weber

  • A sociologia compreensiva de Max Weber (1864-1920) confere importância central à noção de ação social.
  • Ação social compreendida sob o ponto de vista do sentido e dos valores atribuídos pelos indivíduos em suas relações de interdependência.
  • Ação racional com relação a um fim.
  • Ação racional com relação a um valor.
  • Ação afetiva ou emocional.
  • Ação tradicional.
  • Sociedade moderna capitalista: caracterizada pela racionalização que permeia toda a vida humana, em todas as relações sociais.
  • Burocracia compreendida como ordem social calcada na eficiência, por meio da especialização e da hierarquização racional.
  • Dominação racional legal.

Weber e a Educação

  • Educação como meio de estratificação na moderna sociedade capitalista, submetida a critérios burocráticos de racionalidade.

REFERÊNCIAS

  • COHN, Gabriel. Introdução. In: Weber, Coleção Grandes Cientistas Sociais. São Paulo: Ática, 1997, p. 7-34.
  • MARX, K. e ENGELS, F. A ideologia alemã. São Paulo: Hucitec, 1993.

ATIVIDADE:

Explique o conceito marxiano de ideologia.

RESPOSTA: A ideologia em Marx é a visão de mundo a partir do ponto de vista da classe dominante; é uma visão distorcida da realidade, que se propaga e acaba por ser adotada pela sociedade. Marx estabelece a ideologia como um conjunto de proposições elaborado, na sociedade burguesa, com a finalidade de fazer aparentar os interesses da classe dominante com o interesse coletivo, construindo uma hegemonia daquela classe. A ideologia torna-se um dos instrumentos da reprodução do status e da própria sociedade. A manutenção da ordem social requer dessa maneira menor uso da violência.

AULA 5

Pierre Bourdieu: sociedade e educação

  • Pierre Bourdieu (1930-2002): Como absorvemos as regras sociais?
  • Noção de habitus: incorporação de estruturas sociais pelos indivíduos, determinando seus modos de pensar, agir e sentir.
  • Habitus: exterioridade social interiorizada pelos indivíduos, que a reproduzem em práticas sociais.
  • Naturalização das estruturas e das práticas sociais como habitus.
  • Reciprocidade entre estruturas sociais e indivíduos.
  • Violência simbólica: a produção simbólica na vida social não é arbitrária, expressando-se por meio de gostos de classe e de estilos de vida.
  • Violência simbólica e consagração da distinção social.
  • Correspondências entre classes sociais e práticas culturais: gostos de classe e estilos de vida.
  • Papel do Estado na produção e reprodução dos instrumentos de construção da realidade social.
  • Capital econômico, capital social e capital cultural: a bagagem social dos estudantes.
  • A herança familiar e a escola como ratificação e reprodução das desigualdades sociais.
  • Reprodução das desigualdades sociais compreendidas além dos fatores econômicos.
  • Crítica às concepções da escola como instância democratizadora e difusora de uma cultura universal.
  • Constatação do caráter de classe inscrito nas formas de a escola recrutar aos estudantes, em seu funcionamento pedagógico e em seus efeitos sobre o destino social dos alunos.

REFERÊNCIAS

  • BOURDIEU, P. Escritos de educação. Petrópolis: Vozes, 1999.
  • ______. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006.

ATIVIDADE:

  • Explique o conceito de habitus, desenvolvido pelo sociólogo Pierre Bourdieu.

EXERCÍCIO DAS AULAS 1 A 5

1- Caracterize o ser humano como ser social.

RESPOSTA: De um ponto de vista histórico, nas diferentes sociedades humanas encontramos seres humanos. Fora da vida em sociedade não encontramos seres humanos. Efetivamente, os homens existem em relação com outros seres humanos, com os quais trabalham, se divertem, realizam ritos religiosos, com os quais vivem em sociedade, com os quais estão em relação de acordo com valores, tradição, normas, princípios de conduta. Não agem meramente por instinto ou de acordo com suas disposições genéticas. Como seres sociais agem de acordo com códigos de conduta. Esse é o objeto das ciências sociais, notadamente a Sociologia, a Antropologia e Ciência Política, que se diferenciam das ciências exatas, porque essas têm como objeto de estudo a natureza ou os fenômenos da natureza. No caso das ciências sociais o próprio pesquisador, o cientista social, é parte do seu objeto de estudos, porque ele é, como ser humano, um ser social.

2- O que é socialização?

RESPOSTA: É o processo pelo qual os indivíduos recebem os valores da Sociedade. É a interiorização da Sociedade pelos indivíduos. A Educação é peça essencial para a socialização.

3- O que é sociologia?

RESPOSTA: Ciência social e humana. A Sociologia estuda as sociedades modernas industriais (científicas, tecnológicas, capitalistas). Estuda-as do ponto de vista das relações sociais, dos fatos sociais, dos fenômenos sociais, das instituições sociais.

4- O que é antropologia?

RESPOSTA: Ciência social e humana. Estuda as diferentes culturas de diferentes sociedades humanas. Interessa-se, também, pelas sociedades tradicionais. Estuda a diversidade cultural.

5- Explique o significado antropológico do termo cultura.

RESPOSTA: Cultura diz respeito aos modos pelos quais os seres humanos explicam suas vidas. Dizem respeito aos hábitos, valores, tradições, aos costumes de uma sociedade. A cultura compreende desde o modo pelo qual nos relacionamos com nosso corpo, com a nossa sexualidade, a maneira como nos alimentamos, até as explicações que oferecemos para a origem do Universo, para a Natureza como um todo, para com os símbolos que utilizamos na vida social. Nesse contexto, a cultura é presente em todas as sociedades humanas, porque diz respeito a todas as elaborações humanas que excedem o que nos é oferecido naturalmente pela Natureza.

6- Explique os conceitos de alteridade e de etnocentrismo.

RESPOSTA: A alteridade é a constatação da diferença entre o eu e o outro. Antropologicamente, é a constatação de diferenças culturais. Não implica em hierarquização.

O etnocentrismo hierarquiza, ao colocar a cultura do observador em nível de superioridade. É admitido como tendência do ser humano.

7- De acordo com a sociologia de Durkheim, quais são as características do fato social?

RESPOSTA: O fato social é objeto de estudo, por excelência da Sociologia. O fato social é uma coisa – pode ser estudado objetivamente (DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. Tradução: Paulo Neves, revisão da tradução Eduardo Brandão]. 2a. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999, p. 16).

São 3 as características simultâneas que delimitam o fato social: exterioridade, coercitividade e generalidade.

1- O fato social é exterior ao indivíduo. Quando nasce, recebe os valores, a linguagem da sua sociedade. As regras sociais, os costumes, as leis, existem antes do nascimento das pessoas, são a elas impostos por mecanismos de coerção social, como a educação. Portanto, os fatos sociais são ao mesmo tempo coercitivos e dotados de existência exterior às consciências individuais.

2- O fato social é coercitivo porque se impõe ao indivíduo. A coerção é a força que os fatos exercem sobre os indivíduos, levando-os a conformar-se às regras da sociedade em que vivem, independentemente de sua vontade e escolha. Essa força se manifesta quando o indivíduo adota um determinado idioma, quando se submete a um determinado tipo de formação familiar ou quando está subordinado a determinado código de leis.

3- O fato social é geral porque diz respeito à generalidade dos indivíduos. É social todo fato que é geral, que se repete em todos os indivíduos ou, pelo menos, na maioria deles. Por essa generalidade, os fatos sociais manifestam sua natureza coletiva ou um estado comum ao grupo, como as formas de habitação, de comunicação, dos sentimentos e da moral.

8- Explique a concepção de educação na sociologia de Durkheim.

RESPOSTA: Grande teórico da Sociologia, para Durkheim prevalece uma visão harmoniosa da sociedade. A educação desempenha uma importante tarefa na conformação dos indivíduos à sociedade em que vivem, a ponto de, após algum tempo, as regras estarem internalizadas e transformadas em hábitos. A educação garante a coesão social.

9- Por que denominamos a sociologia de Karl Marx como teoria do conflito?

RESPOSTA: Para Karl Marx a concepção é a do conflito. Realiza estudo minucioso da sociedade capitalista e identifica essa sociedade marcada por contradições que levam ao conflito: a divisão em classes, a luta de classes, a dominação ideológica, o trabalho alienado. Quer dizer, o capitalismo é repleto de contradições, que, segundo Marx, desembocariam numa revolução na sociedade socialista e depois na sociedade comunista.

10- Explique o conceito marxiano de ideologia.

RESPOSTA: É diferente do uso coloquial que oferecemos à palavra. A ideologia em Marx é a visão de mundo a partir do ponto de vista da classe dominante; é uma visão distorcida da realidade, que se propaga e acaba por ser adotada pela sociedade. Marx estabelece a ideologia como um conjunto de proposições elaborado, na sociedade burguesa, com a finalidade de fazer aparentar os interesses da classe dominante com o interesse coletivo, construindo uma hegemonia daquela classe. A ideologia torna-se um dos instrumentos da reprodução do status e da própria sociedade. A manutenção da ordem social requer dessa maneira menor uso da violência.

 

11- Explique a reflexão sociológica de Max Weber acerca da educação na sociedade moderna.

RESPOSTA: Sociologia compreensiva. A Educação é, segundo Weber, o instrumento que propicia ao homem a preparação necessária para o exercício de atividades funcionais adequadas às exigências das mudanças ocasionadas pela racionalização que o homem irá se deparar socialmente. Na medida em que a sociedade se racionaliza historicamente, não é mais, a preparação para que o indivíduo compreenda seu papel no conjunto harmônico do contexto social. E nem é vista como meio de libertação. Torna-se o meio determinante de estratificação social, uma forma distinta onde busca-se obter privilégios sociais. Weber não concebe a sociedade a partir de um todo. Estuda as ações do indivíduo, que conferem sentido aos seus atos sociais e que estabelecem suas relações sociais. Segundo Weber a educação vai se voltar cada vez mais para a formação de especialistas, de técnicos, de burocratas e vai se constituir num meio de ascensão social (obtenção de diplomas, de especializações), que permitirá aos indivíduos ocuparem posições hierárquicas mais elevadas nos níveis burocráticos da sociedade => estratificação social.

12- De acordo com Pierre Bourdieu, como a herança familiar interfere nas práticas escolares?

RESPOSTA: Noção de habitus – campo – estilos de vida – gosto de classe. Também existe um cenário de conflito. O capital cultural de muitas famílias constituído pelo acesso àquilo que é na sociedade considerado relevante. É o plano da DOMINAÇÃO SIMBÓLICA, da VIOLÊNCIA SIMBÓLICA, que chega nas escolas. O que é ensinado nas escolas já é perpassado pelo capital social, econômico, cultural. Desigualdade social => desigualdade educacional. A escola contemporânea ratifica o plano das desigualdades sociais.

A Sociologia da Educação de Bourdieu se notabiliza, justamente, pela diminuição que promove do peso do fator econômico, comparativamente ao cultural, na explicação das desigualdades escolares. Em primeiro lugar, a posse de capital cultural favoreceria o desempenho escolar na medida em que facilitaria a aprendizagem dos conteúdos e códigos escolares. As referências culturais, os conhecimentos considerados legítimos (cultos, apropriados) e o domínio maior ou menor da língua culta, trazidos de casa por certas crianças, facilitariam o aprendizado escolar na medida em que funcionariam como uma ponte entre o mundo familiar e a cultura escolar. A educação escolar, no caso das crianças oriundas de meios culturalmente favorecidos, seria uma espécie de continuação da educação familiar, enquanto para as outras crianças significaria algo estranho, distante, ou mesmo ameaçador. A posse de capital cultural favoreceria o êxito escolar, em segundo lugar, porque propiciaria um melhor desempenho nos processos formais e informais de avaliação. Bourdieu observa que a avaliação escolar vai muito além de uma simples verificação de aprendizagem, incluindo um verdadeiro julgamento cultural e até mesmo moral dos alunos. Cobra-se que os alunos tenham um estilo elegante de falar, de escrever e até mesmo de se comportar; que sejam intelectualmente curiosos, interessados e disciplinados; que saibam cumprir adequadamente as regras da "boa educação". Essas exigências só podem ser plenamente atendidas por quem foi previamente (na família) socializado nesses mesmos valores.

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