Anotações - Aula 4: Educação Ambiental, Pedagogia, Política e Sociedade

AULA 4

EDUCAÇÃO AMBIENTAL, PEDAGOGIA, POLÍTICA E SOCIEDADE

Objetivos:

  • Compreender a diferença entre as propostas de Educação Ambiental reducionista e crítica;
  • Conhecer a proposta de Ecopedagogia, compreender as bases fundamentadas na Carta da Terra e na Pedagogia da Terra.

 

As concepções de Educação Ambiental:

  • Existem diversas concepções de educação voltadas a questão ambiental.
  • Podemos classificar novamente quatro grandes correntes, sendo os “conservacionistas”; os adeptos da “educação ao ar livre”; o grupo da “gestão ambiental”; e os proponentes da “economia ecológica”.
  • Os “conservacionistas” foram mencionados na aula anterior.
  • Vamos para o segundo grupo, os proponentes de uma “educação ao ar livre” que podem ser relacionados ao escotismo, grupos de espeleologia, montanhismo.
  • Mais recentemente associamos os adeptos das “caminhadas ecológicas” e de “turismo ecológico”. 
  • A corrente da “gestão ambiental” tem raízes na América Latina.
  • Surge junto aos movimentos de resistência aos governos autoritários na região.
  • Reivindicam participação da população na administração dos espaços públicos e nas definições de políticas públicas.
  • O grupo que defende a “economia ecológica”, baseados no princípio do ecodesenvolvimento (Ignacy Sachs).
  • Esta proposta ganha impulso na segunda metade dos anos 80.
  • Nos movimentos, as experiências com geração e difusão de tecnologias alternativas, através de comunidades rurais, ONGs e associações ambientalistas são antigas, mas sempre foram pontuais e marginalizadas.

 

Desenvolvimento sustentável: Corrente da Gestão Ambiental (governos, parte das ONGs, empresários).

Sociedades sustentáveis: Corrente da Economia Ecológica (críticos do DS).

Alguns desse grupo consideram que o “desenvolvimento sustentável” é só uma nova roupagem para manutenção do “status quo”.

 

Educação ambiental reducionista e Educação ambiental crítica

  • A concepção reducionista se limita as abordagens ligadas diretamente aos aspectos físicos, naturais ou construídos, buscando mudanças individuais de comportamento e atitudes para que sejam ecologicamente corretas.
  • Reduzem o papel da educação, pois ensinam somente como cuidar do meio ambiente.
  • Lema: “o homem destrói a natureza/ devemos proteger o meio ambiente”.
  • Lógica formal – objetos e fenômenos vistos de forma estática.
  • A concepção crítica surge como prática educativa que busca a solução para os problemas ambientais, tendo como objetivo principal uma visão integrada do meio ambiente, a fim de promover o entendimento da realidade e a emancipação dos sujeitos (busca individual e coletiva).
  • Lógica dialética – objetos e fenômenos estão em constantes movimentos contraditórios, de forma dialética.
  • Exemplos de propostas reducionistas:
  • (1) Educação Ambiental Conservadora: remonta a origem das práticas ambientais internacionais (preservacionismo). Ideário romântico de natureza. Está presente em muitos cursos de EA, proteção a natureza, primitivismo, despreza-se as causas mais profundas dos problemas ambientais.
  • (2) Educação Ambiental Pragmática: apresenta o foco na ação, na busca de soluções para os problemas e em normas a serem seguidas. As suas origens estão ligadas ao ambientalismo pragmático e em concepções tecnicistas de educação.
  • A ênfase se dá na mudança de comportamento individual por meio da quantidade de informações e na quantidade de normas (leis) e projetos governamentais como soluções prontas.

 

Educador ambiental crítico

  • Aquele que possui forte tendência a se apoiar num conhecimento científico que supera a lógica formal – reconhecendo os limites dessa concepção.
  • Busca exercitar e confrontar, por meio da dialética. Uma proposta de uma EA numa concepção crítica pode partir de uma atividade baseada na lógica formal e superar a limitação de sua análise com base na lógica dialética.
  • [...] não desconsideramos a importância das atividades de conservação ambiental, pois elas são absolutamente necessárias em alguns locais e situações. No entanto, para o ambiente escolar, as abordagens nessas perspectivas apresentam a questão ambiental de forma reducionista, o que pouco contribui para a construção de sociedades mais justas e que saibam exercer um papel ativo na busca de melhores condições socioambientais (SILVA; CAMPINA, 2011).

 

Ecopedagogia e a concepção crítica da Educação Ambiental

  • Ecopedagogia é um conceito que surgiu no Fórum Global 92, sistematizada pelo educador Francisco Gutiéres (tendo por base Paulo Freire).
  • É entendida como um pressuposto da Educação Ambiental. Ela se incorpora à EA e oferece estratégias para sua realização efetiva.
  • Pode ser definida como “uma pedagogia orientada para a aprendizagem do sentido das coisas a partir da vida quotidiana, tendo como objetivo a promoção das sociedades sustentáveis” (MENEZES; SANTOS, 2010).

 

  • Princípios da Ecopedagogia:

De acordo com Gadotti (2000, p.121-122):

  • O planeta como uma única comunidade.
  • A Terra como mãe, organismo vivo e em evolução.
  • Uma nova consciência que sabe o que é sustentável, apropriado, o faz sentido para a nossa existência.
  • A ternura para com essa casa. Nosso endereço é a Terra.
  • A justiça sócio-cósmica: a Terra é um grande pobre, o maior de todos os pobres.
  • Uma pedagogia biófila (que promove a vida): envolver-se, comunicar-se, compartilhar, problematizar, relacionar-se entusiasmar-se.
  • Uma concepção do conhecimento que admite só ser integral quando compartilhado.
  • O caminhar com sentido (vida cotidiana).
  • Uma racionalidade intuitiva e comunicativa: afetiva, não instrumental.
  • Novas atitudes: reeducar o olhar, o coração.
  • Cultura da sustentabilidade: ecoformação. Ampliar nosso ponto de vista.

 

  • Ecopedagogia e algumas reflexões:
  • Fica estabelecido que o movimento pela ecopedagogia, oriundo da Carta da Terra, serve de apoio para que esta seja conhecida e praticada por todas as pessoas.
  • Representa um novo impulso, por meio do processo educativo, pela ética na política, na economia, na educação e etc.
  • A Carta da Terra deve ser entendida como um movimento global (código de ética planetário).
  • Este código de ética são princípios e valores que fazem frente à injustiça social e à falta de equidade predominante no planeta.
  • Cinco pilares sustentam esse núcleo:
  • A) Os direitos humanos.
  • B) Democracia e participação.
  • C) Equidade.
  • D) Proteção das minorias.
  • E) Resolução pacífica dos conflitos.
  • No que diz respeito ao contexto escolar, destacamos algumas possibilidades para utilização da Carta da Terra como recurso educativo para:
  • Difundir junto aos alunos a necessidade e importância do desenvolvimento sustentável.
  • Sensibilização em relação aos planos de desenvolvimento sustentável, visando a cooperação e a mudança.
  • Instrumento norteador de base ética para o desenvolvimento progressivo da EA.
  • O tema sustentabilidade que veio da economia e ecologia se inseriu definitivamente no contexto da educação. Assim:

O desenvolvimento sustentável, mais do que um conceito científico, é uma ideia-força, uma ideia mobilizadora. A escala local tem que ser compatível com uma escala planetária. As pessoas, a Sociedade Civil, em parceria com o Estado, precisam dar sua parcela de contribuição para criar cidades e campos saudáveis. (GADOTTI, 2001, p. 85).

  • Desafios da Ecopedagogia:
  • Superação de falsos valores que estão na gênese e no crescimento da sociedade ocidental e sua cultura.
  • Formação de cidadãos com consciência local e planetária que valorizem a autodeterminação dos povos e a soberania das nações (cidadania planetária).

 

ATIVIDADE:

 

1) O desenvolvimento de metodologias de Educação Ambiental relacionadas à participação pressupõe:

  1. a consolidação de canais abertos e permanentes entre governo e sociedade civil para que o governo informe sobre as políticas públicas.
  1. o uso de estratégias que procurem despertar o ser humano para o pensar e o agir conscientes e comprometidos com o desenvolvimento da humanidade e da vida, sem considerar o sentir, por sua subjetividade.
  1. o acesso à informação para minimizar a pressão sobre o poder público.
  1. o envolvimento das pessoas na solução dos problemas cotidianos e nas políticas públicas para ampliar o sentido de pertencimento ao grupo e a autossuficiência.
  1. a consideração de que, no diagnóstico e não no planejamento público, devem ser considerados os referenciais oferecidos pela sociedade.

 

2) A abordagem da Educação Ambiental e da Educação para a Cidadania implica em: 

  1. conceber o meio ambiente articulado com as questões sociais, tais como saneamento básico, assentamentos urbanos e rurais, trabalho e geração de renda, entre outros;
  1. estimular uma visão local acrítica das questões ambientais;
  1. instigar o indivíduo a analisar e participar da resolução dos problemas da coletividade, de acordo com o conceito de sustentabilidade ambiental;
  1. promover enfoque interdisciplinar que resgate e construa saberes acadêmicos e científicos.

Está correto o contido em

  1. I e III, apenas.
  1. II e IV, apenas.
  1. I, II e IV, apenas.
  1. III e IV, apenas.
  1. I, II, III e IV.

 

3) Questão para reflexão:

Procure reler o material e apresente algumas diferenças entre as propostas de Educação Ambiental reducionista e crítica.

Exibições: 2

© 2017   Criado por Sílvia Mota.   Ativado por

Relatar um incidente  |  Termos de serviço