Anotações - Aula 1: A criação da Companhia de Jesus: o contexto religioso na Europa no século XVI

AULA 01

A CRIAÇÃO DA COMPANHIA DE JESUS

O CONTEXTO RELIGIOSO NA EUROPA NO SÉCULO XVI

 

 

NESTA AULA

  • A importância da história da educação.
  • Renascimento Cultural.
  • Reforma Protestante e Contra Reforma Católica.

 

 

PARA QUÊ HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO?

 

  • “A ignorância do passado não se limita a prejudicar a compreensão do presente; compromete, no presente, a própria ação” (Marc Bloch)
  • Pela atitude crítica diante das “modas pedagógicas” da atualidade.
  • Auxilia a dar um sentido ao trabalho educativo.
  • Criação de novos valores.
  • Atitude crítica diante das “modas pedagógicas” da atualidade.
  • A História da Educação no Brasil não deve ser dissociada dos acontecimentos europeus, já que a colonização resultou da necessidade de expansão comercial da burguesia mercantilista.

 

Por quê estudar a História da Educação no Brasil?

Entender a História é uma forma de modificar as nossas ações; é uma forma de refletir acerca das nossas atitudes e também das atitudes perante a Educação, a forma de compreender a Educação e, também, a forma de conceber a prática educativa.

 

  • “A ignorância do passado não se limita a prejudicar a compreensão do presente; compromete, no presente, a própria ação” (Marc Bloch)

 

A frase acima é muito ilustrativa. Conhecer o passado, conhecer a história da educação brasileira é um passo fundamental para modificar as nossas práticas educativas, para que tenhamos uma atitude crítica perante as “modas pedagógicas” que, constantemente, são impostas aos docentes, são impostas às redes de ensino municipais e estaduais. Quando conhecemos a história da educação podemos questionar: “Isso não é tão novo assim...”

 

A História da Educação vai auxiliar o trabalho educativo, a partir do momento em que dá um sentido à prática educativa, garante um sentido à prática docente. Ao questionarmos, criamos novos valores.

A esse respeito, ensina Eric Hobsbawn: "A destruição do passado - ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossas experiências pessoais às das gerações passadas - é um dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX [...] Por isso os historiadores, cujo ofício é lembrar o que os outros esquecem, tornam-se mais importantes que nunca no fim desse segundo milênio."

 

É fundamental que os educadores e toda a sociedade percebam que a situação na qual o trabalho educativo se processa, suas rupturas e permanências, são produtos de construções históricas.

 

Segundo António Nóvoa - educador português, dono de um pensamento crítico apurado e atento aos problemas contemporâneos que incomodam o mundo da Educação e resvalam na sociedade como um todo - devemos estudar a História da Educação, para que possamos sempre ter atitudes críticas frente aos modismos pedagógicos. Esses constituem-se em imposições, às vezes desmedidas, e que são apresentadas aos professores apresentadas como novas, mas que são apenas reproduções, repaginação do que já foi feito e não deu muito certo. Precisamos, então, precisamos conhecer a História da Educação para que possamos falar, questionar as imposições, para dar um sentido ao trabalho educativo.

 

A História da Educação no Brasil jamais deve ser dissociada dos acontecimentos europeus, porque a Educação no Brasil recebe a influência da chegada do homem europeu ao Brasil, com a vinda dos jesuítas, até pelo menos nos meados do século XIX, embora essa influência persista.

 

O Brasil enquanto território nacional, enquanto país – mesmo que fora colônia portuguesa - se estrutura a partir do momento em que o homem europeu sai do seu continente em busca de novos espaços e vai povoando outros territórios. A História da Educação escolar brasileira inicia-se a partir de um movimento europeu. É quando o homem europeu rompe com o poder religioso, que durante o período medieval fez com que os homens acreditassem na sua impotencialidade, acreditassem na sua incapacidade criadora; acreditassem que Deus fosse o único responsável pelas criações; que o homem era apenas um títere nas mãos do divino Criador, que deveria obedecer cegamente aos desígnios religiosos. Com o Renascimento cultural o homem vai romper com essa forma de pensar, vai romper com o Teocentrismo medieval. Deus deixa de ser o centro do Universo, deixa de ser o único caminho para uma resposta e o homem passa a perceber-se como criador, a perceber-se como capaz de romper barreiras, de criar, de ir em busca do novo. E é nesse momento, que o homem busca criar, desafia a natureza e domina a natureza é que chega ao território que hoje chamamos de brasileiro. É movimento Renascentista que faz com que o homem ao romper com a Igreja Católica e ao romper com os preceitos do Teocentrismo medieval, vai buscar novos territórios. Quando o homem rompe as amarras do Teocentrismo e volta seu olhar para a antiguidade greco-romana (antiguidade clássica) e para a valorização do homem ali presente, é que ele expande não só sua mente, mas também o seu espaço. Por tal motivo, a ideia de Brasil, a ideia de Educação no Brasil não deve ser dissociada desse movimento, uma vez que a colonização resultou da necessidade de expansão comercial, territorial da burguesia mercantilista, uma camada social que conquista espaço com o fim da Idade Média, com o fortalecimento das cidades, dos antigos burgos. Essas cidades ganham força e a sua camada social mais importante economicamente também. E é essa camada que vai impulsionar o Renascimento, que são os famosos mecenas. Há, consequentemente, uma revalorização da ciência, que não mais se submete à religião. Isso vai impulsionar significativamente a expansão territorial – a famosa expansão marítima europeia.

 

RENASCIMENTO

 

  • Revalorização da Antiguidade Clássica/ Greco-Romana.
  • A ciência não se submete mais à religião.
  • Visão antropocêntrica de mundo (o homem como centro do universo).

 

  • Florescimento da ciência e da filosofia, que influenciaram as teorias pedagógicas.
  • Valorização do método: colocando em discussão os procedimentos da razão na investigação da verdade, antes de se permitir teorizar sobre qualquer tema.

 

  • Educação: busca de métodos diferentes, a fim de tornar a educação mais agradável e, ao mesmo tempo, eficaz na vida prática.

 

O Renascimento – fundamental para a História da Educação – vê o homem como centro do Universo e não mais aceita as respostas na religião. O homem busca novos espaços e ocorre a expansão territorial europeia, que será a responsável pela estruturação da colônia posteriormente chamada Brasil.

A burguesia que surge após a Idade Média vai exigir um novo tipo de escola para seus filhos, porque a família ganha uma outra importância e as crianças também – indivíduo que precisa de uma formação para exercer atividades que contribuam para a Sociedade.

O Renascimento contribui para a Educação – elemento crucial para a formação de um novo homem. O experimento ganha espaço, pela busca do Método. A Educação passa a buscar o Método que a torne mais agradável e, ao mesmo tempo, eficaz na vida prática. Surgem, então, os colégios.

 

O NASCIMENTO DOS COLÉGIOS

 

  • A burguesia queria enviar seus filhos para um novo tipo de escola – não religioso.
  • Surge uma nova imagem da infância e da família.
  • Severa disciplina – essa disciplina era questionada? Sim, os teóricos não eram favoráveis ao castigo físico.

 

CONTEXTO EDUCACIONAL

 

  • Juan Luis Vives, Erasmo de Rotterdam, Rabelais e Montaigne, por exemplo

Acreditavam que para a formação de um novo homem era importante a valorização do pensamento científico, do estudo da língua materna; da valorização da infância (e do seu tempo de crescimento) e da educação integral.

 

REFORMA PROTESTANTE

 

Nesse período, ocorre a Reforma Protestante, que vai ser a expressão da ruptura do homem com a Igreja, porque vai trazer a público tudo de ruim que existia dentro da Igreja Católica.

  • Criticava a estrutura autoritária da Igreja Católica.
  • As divergências não eram apenas religiosas, mas também sinalizavam alterações sociais e econômicas. Existia corrupção - interesses políticos e econômicos – muito fortes - que prejudicavam a atuação da Igreja Católica.

 

CONTRARREFORMA CATÓLICA

 

A Igreja Católica não fica inerte diante da Reforma Protestante.

 

  • Concílio de Trento.
  • Reafirmação da supremacia papal e dos princípios da fé.
  • Estímulo para a criação de seminários, para formar padres.
  • Inquisição.
  • A Contra Reforma Católica resultou na criação de mais seminários. A Igreja Católica sai da clausura. Percebe que através da Educação vai atingir os indivíduos e vão perpetuar o poder católico. Por tal motivo, a reação da Igreja Católica foi muito importante para a História da Educação no Brasil. Com essa reação surge uma das principais ordens religiosas da história da Igreja Católica – a Companhia de Jesus.
  • A Igreja envolveu-se com mais intensidade no processo de expansão territorial.
  • Aproximação dos monarcas ibéricos com intuito de catequizar os pagãos do novo mundo.

 

COMPANHIA DE JESUS

 

Fundação da Companhia de Jesus – Inácio de Loyola, em 1540.

Formação rigorosa dos quadros da Ordem.

 

OS PRIMEIROS TEMPOS: A EDUCAÇÃO PELOS JESUÍTAS

 

  • Começaram nas universidades e rapidamente ganharam respeito.
  • Fundaram colégios.
  • Rápida expansão.
  • Elaboração do Ratio Studiorum – primeiro plano de ensino da história da educação.
  • Os objetivos da esfera religiosa eram zelar pela obediência aos preceitos cristãos entre os colonos e catequizar os nativos.
  • Os índios não deveriam ser escravizados pois só eram passíveis de escravidão os que se negavam ao cristianismo. Os índios eram puros e, nesse sentido, aproximavam-se do desejado pela Igreja Católica.
  • Os índios eram puros e estariam muito próximos dos princípios cristãos.
  • Escravidão africana. Os jesuítas aceitavam a escravidão dos africanos, por serem ímpios, por terem outras crenças contrárias à Igreja Católica.

 

REFERÊNCIAS

 

ARANHA, M. L. de A. História da Educação e da Pedagogia. Geral e do Brasil. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2006.

MANCORDA, M. A. História da educação. Da antiguidade aos nossos dias. 3ª ed. São Paulo: Cortez, 1992.

 

 

ATIVIDADE

 

  • Reflita a partir da seguinte afirmação: o homem pode e deve ser o criador, o aventureiro, o sonhador, o dominador da natureza.

RESPOSTA:

Essa afirmação faz referência a um momento muito importante da História e, consequentemente, da História da Educação – o Renascimento cultural. Porque é o momento em que o H percebe que pode formar outros homens e assim ser o responsável pela transformação social, pela estruturação de uma nova cultura, de uma nova maneira de pensar, de novas maneiras de agir, de novos questionamentos. No Renascimento, o H deixa de ver Deus como o responsável por tudo e por todos e percebe-se como criador, aquele que pode construir, que pode transformar, que pode descobrir; vê-se como aventureiro e rompe com seu espaço físico e vai em busca do desconhecido, porque não mais o teme. Percebe no contato com o diferente, que pode criar, aprender. É aquele que sonha e busca novas respostas, diferentes da religião. É o dominador da natureza, não mais a teme – usa-a a seu favor. Claro, que existem consequências negativas: vai ter interesses econômicos, vai subjugar o Outro, por considerá-lo inferior. No Renascimento o homem torna-se o dono da sua verdade.

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