AULA 7

A ESCOLA NOVA

 

ESCOLA NOVA

JOHN DEWEY

 

Escola Nova é um dos nomes dados a um movimento de renovação do ensino que foi especialmente forte na Europa, na América e no Brasil, a partir do fim do Século XIX e do início do Século XX, quando se configurou definitivamente o movimento escolanovista.

Outras denominações:

- Escola Nova

- Escola Ativa

- Escola do trabalho: a Escola Nova não diferencia o trabalho intelectual do trabalho manual. Valoriza as aptidões individuais. Oferece ao educando todas as possibilidades, para que o mesmo desenvolva ao máximo todas as suas potencialidades.

As inovações pedagógicas fundamentadas nas ideias de Rousseau (com sua educação natural), Pestalozzi (ensina tudo a todos de maneira ativa) e Froebel (valorização da criança, na educação com prazer), foram enfatizadas e buscou-se a sua efetivação. Influenciam diretamente na efetivação da Escola Nova, que influenciou a Educação brasileira a partir dos anos 20.

As expressões como “Pedagogia Científica” e “didática experimental” passaram a ser utilizadas para exprimir e dar visibilidade às inovações.

 

PRINCÍPIOS BÁSICOS DA ESCOLA NOVA

1- Estimular o interesse da criança: fazer da criança um sujeito ativo no processo de formação do conhecimento; a criança colabora com o seu aprendizado e, também, com a aprendizagem dos demais, do seu grupo – socialização.

2- Proporcionar aprendizado de acordo com as potencialidades individuais: o professor fica atento ao desenvolvimento e às necessidades de cada aluno.

3- Adaptar a criança ao ambiente: formar crianças, jovens e adultos, que estão aptos a conviver na sociedade que então se pretendia – sociedade democrática: todos colaboram para a qualidade da vida nesse grupo.

4- Realizar a sua integração social: estimular o contato com o grupo.

 

O Movimento Escolanovista resultou da tentativa de superar a escola tradicional, excessivamente rígida e voltada para a memorização. Passa-se a valorizar a Educação como instrumento de democratização da Sociedade. E isso vai fazer parte de toda a reflexão elaborada por Dewey, porque para o autor a Educação vai sempre contribuir para a estruturação da Sociedade. Diz que a Escola deve ser uma comunidade em miniatura.

A expressão Escola Nova foi utilizada pela primeira vez por Cecil Reddi, que fundou em 1889, na Inglaterra, um estabelecimento de ensino denominado The New School. O movimento vai se espalhando pela Europa e pelos Estados Unidos; e devido ao contato dos educadores brasileiros com os Estados Unidos e com Dewey, o movimento chega ao Brasil.

No mesmo ano Adolfo Ferrière criou em Genebra o Bureau Internacional des Ècoles Nouvelles, que vai ser o espaço para a difusão da Escola Nova, de forma organizada e para contribuir efetivamente para a eliminação da Escola Tradicional.

Na França, Alemanha, Bélgica, Itália e EUA surgem escolas denominadas Escolas Novas, com base nos princípios da Escola Nova. Alguns países adotam os novos métodos até mesmo nas escolas públicas. Nos Estados Unidos o movimento chega até a escola pública, mas vai sofrer a interferência do governo, porque quando se fala na preparação de um indivíduo ativo, de um sujeito reflexivo, isso não interessa ao governo e Sociedade, pois causa certo receio nos dirigentes. Então, a Escola Nova chega sim, às escolas públicas, mas com algumas adaptações. Em escolas de aplicações, de algumas universidades como a Universidade de Chicago, onde Dewey atuou, vamos ter uma prática pedagógica pautada nos ideais da Escola novista um pouco diferenciada. É importante ressaltar que essa chegada às escolas públicas sofre, sem dúvida, a interferência da Sociedade, sem contar que o início do Século XX é o momento de consolidação das Democracia, mas é também um momento conturbado. Historicamente, há uma perturbação, há uma queda de braços pelo Poder, pela hegemonia mundial. Então, isso choca muito. A figura de Dewey chama muita atenção, porque como ele é tão partidário da Democracia, que vai ser confundido com o comunista. Especialmente, vai ser condenado quando viaja à China para conhecer o sistema educacional; quando viaja à União Soviética para entender o que foi feito ali, que transformou aquela Sociedade, que transformou aquele contexto educacional que existia; vai ser condenado quando é um dos principais relatores do caso Trotsky, quando viaja até o México para ouvir o que Trotsky vai dizer. Ele é muito perseguido. Então, percebemos que o movimento escolanovista cresce, passa a ser conhecido, agrega intelectuais, agrega filósofos e educadores muito importantes, porém, sofre uma pressão significativa, porque amedronta, porque propõe uma atitude reflexiva, porque propõe estimular todas as potencialidades individuais, para que todos os educandos encontrem o seu espaço na Sociedade. Para Dewey, uma sociedade democrática é aquela em que todos os seus membros possuem um espaço, possuem o seu lugar e participam dessa democracia.

 

AS ESCOLAS NOVAS, SEGUNDO ADOLFO FERRIÈRE, DEVERIAM SEGUIR ALGUMAS CARACTERÍSTICAS

- educação integral (intelectual, moral e física): não deveria existir distinção entre o trabalho intelectual, o trabalho manual, porque todos são importantes e há pessoas com individualidades que não fazem delas pessoas menos importantes para a Sociedade.

- educação ativa

- educação prática com obrigatoriedade de trabalhos manuais

- exercício de autonomia

- vida no campo

- internato

- coeducação: aprendizado no contato com o outro.

- ensino individualizado: muito criticado, porque ao atender um aluno em sua individualidade, deixarei de atender aos outros.

- unicidade, obrigatoriedade e gratuidade.

- atividades centradas no aluno e criação de laboratórios, oficinas, hortas e até imprensa, para estimular a iniciativa.

- valorização dos jogos e dos exercícios físicos, a fim de desenvolver as mais diversas habilidades.

 

JOHN DEWEY

Anísio Teixeira foi aluno de Dewey.

John Dewey  fez severas críticas à educação tradicional, sobretudo ao intelectualismo e à memorização e rejeitou a educação pela instrução, opondo-lhe a educação pela ação – aluno preparado para a transformação social.

Dewey acredita que a ênfase da educação não está na acumulação de conhecimentos, mas na capacidade de aplica-los às situações vividas: conhecimento colocado em prática.

A escola deve ter a criança como centro e oferecer espaço para o desenvolvimento de seus interesses. Para Dewey, professor é aquele que acompanha o trabalho dos alunos e anima as atividades escolares.

“Isso não quer dizer que o docente fique de lado, como simples expectador, pois o oposto de fornecer ideias já feitas e matéria já preparada e de ouvir se o aluno reproduz exatamente o ensinado não é inércia e sim a participação na atividade. Em tal atividade compartida, o professor é um aluno e o aluno é, sem o saber, um professor.”

Dewey queria preparar o aluno para a sociedade do desenvolvimento tecnológico e formar o cidadão para a convivência democrática.

 

CRÍTICAS AO ESCOLANOVISMO

 

- Minimiza o papel do professor e supervaloriza a criança: quando na realidade, o professor participa junto com o aluno do processo; não tem o papel minimizado, nem a criança é supervalorizada. Suas características são valorizadas e respeitadas.

 

- A preocupação excessiva com o psicológico intensifica o individualismo: quando na verdade, as características individuais são respeitadas.

 

- Ausência de disciplina: quando na verdade não há opressão.

 

- A ênfase no processo descuida da transmissão do conteúdo: jamais um descuido dos conteúdos, que são abordados de forma respeitosa.

 

Sugestão para leitura:

DEWEY, John. Democracia e educação. São Paulo: Nacional, 1959.

 

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