HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL

Síntese das aulas 1 a 5

 

Por quê estudar a História da Educação no Brasil?

Responde Eric Hobsbawn: "A destruição do passado - ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossas experiências pessoais às das gerações passadas - é um dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX [...] Por isso os historiadores, cujo ofício é lembrar o que os outros esquecem, tornam-se mais importantes que nunca no fim desse segundo milênio."

É fundamental que os educadores e toda a sociedade percebam que a situação na qual o trabalho educativo se processa, suas rupturas e permanências, são produtos de construções históricas.

Segundo António Nóvoa - educador português, dono de um pensamento crítico apurado e atento aos problemas contemporâneos que incomodam o mundo da Educação e resvalam na sociedade como um todo - devemos estudar a História da Educação, para que possamos sempre ter atitudes críticas frente aos modismos pedagógicos. Esses constituem-se em imposições, às vezes desmedidas, e que são apresentadas aos professores apresentadas como novas, mas que são apenas reproduções, repaginação do que já foi feito e não deu muito certo. Precisamos, então, precisamos conhecer a História da Educação para que possamos falar, questionar as imposições, para dar um sentido ao trabalho educativo.

A História da Educação no Brasil jamais deve ser dissociada dos acontecimentos europeus, porque a Educação no Brasil recebe a influência da chegada do homem europeu ao Brasil, com a vinda dos jesuítas, até pelo menos nos meados do século XIX, embora essa influência persista.  O Renascimento – fundamental para a História da Educação – vê o homem como centro do Universo e não mais aceita as respostas na religião. O homem busca novos espaços e ocorre a expansão territorial europeia, que será a responsável pela estruturação da colônia posteriormente chamada Brasil.

A burguesia que surge após a Idade Média vai exigir um novo tipo de escola para seus filhos, porque a família ganha uma outra importância e as crianças também – indivíduo que precisa de uma formação para exercer atividades que contribuam para a Sociedade.

O Renascimento contribui para a Educação – elemento crucial para a formação de um novo ser humano.

A Reforma Protestante rompe com as imposições religiosas, criticando a estrutura imposta pela Igreja. Mas, vão além, pois rompe, também, com as imposições sociais e econômicas. Consequentemente, critica a Educação alheia à reflexão crítica.

Essa crítica gera uma reação que vai pautar muito, significativamente, na Educação. A reação da Igreja Católica à Reforma Protestante é a abertura de seminários, formação de novos religiosos, cujo principal papel é expandir a Fé Católica. Mas um determinado grupo religioso liderado por Inácio de Loyola chama a atenção, porque o padre percebe que a catequese, a formação de novos católicos não deve ser feita dentro dos seminários. São necessários novos padres que cheguem até o povo, que alcancem os locais que estão sendo conquistados, que levem a fé católica para aqueles que a desconhecem.

Os padres da Cia. de Jesus são missionários, e que para além dos seminários começam a atuar nas universidades, que surgiam e se fortaleciam. São padres que percebem a Educação como ferramenta muito útil para fortalecer a fé católica contra as críticas e rupturas realizadas pela Reforma Protestante. Sendo assim, a Contrarreforma é de grande valia para a Educação na Modernidade.

Os jesuítas foram os responsáveis pelo Ratio Studiorum - Primeiro Plano Educacional da História da Educação no Brasil. O documento detalha desde como devem ser as salas de aula, até como devem aplicar-se os castigos aos alunos que não se comportam bem. Para a Educação brasileira, os jesuítas são muito importantes, porque responsáveis pela primeira rede educacional brasileira.

No século XVIII surge o Iluminismo, com novas propostas educacionais, em contraposição ao modelo tradicional. É o primeiro passo para o desenvolvimento livre e espontâneo, com a valorização do indivíduo, que deve ter a oportunidade de ser autônomo em seus pensamentos, não mais sendo obrigado a repetir os conhecimentos que lhe eram impostos.

Rousseau foi um dos principais teóricos da Educação natural, que valorize os interesses individuais, que respeite um processo simples, que vá gradativamente formando o indivíduo. Indivíduo este que deve ser compreendido desde a infância. Eis que se desfralda a primeira bandeira a favor da criança, com suas características valorizadas e enaltecidas.

Com as Reformas Pombalinas da Educação, eliminaram-se os professores jesuítas. Essas reformas foram uma tentativa do governo português de fugir dos ideais iluministas. O governo e o Primeiro Ministro Marquês de Pombal (Sebastião José de Carvalho) – forjaram a ideia de que o governo português não era absolutista, que o monarca não era centralizador, porque tinha o seu primeiro ministro, principal representante das ideias iluministas. Essa forma de agir ficou conhecida historicamente como DESPOTISMO ESCLARECIDO (Sou déspota, mas estou pautado em alguns ideais iluministas).

Sendo assim, um dos principais pontos do despotismo no Brasil é a Reforma Pombalina da Educação – nada mais, nada menos do que expulsão dos jesuítas do Brasil, com sua eliminação e das suas escolas, cujos prédios não são reaproveitados. Em substituição, surgem as aulas régias – aulas reais, ministradas por professores leigos, quase inexistentes no Brasil, porque aqui todos os professores, até então, são jesuítas ou frequentam os seminários. Não existem, portanto, professores qualificados.

No final do século XVIII, a Educação no Brasil é quase nada. As aulas régias são ministradas nas salas das casas dos docentes. Ocorre um desmantelamento do sistema educacional jesuítica - um rebaixamento da Educação no Brasil. Preceptores chegam para cuidar da educação dos filhos da elite.

No século XIX, momento da estruturação da Educação Nacional em estados, especialmente naqueles que se forjavam, que consolidavam seus territórios, percebe-se que a Educação pode ser utilizada como uma maneira de atrair os seus habitantes, de forma que protejam o seu território e preservem o seu governo.

O desenvolvimento do capitalismo obriga a escola a se modernizar. A complexidade do trabalho exige melhor qualificação da mão de obra. Isso reforça o dualismo escolar. Ao lado da expansão da rede escolar, torna-se objetivo de grande importância formar a consciência nacional e patriótica.

Surge um novo espaço, um renascimento, com a vinda da família real – nascem inúmeras escolas e do ensino superior. As Escolas Normais aparecem no país, mas a formação dos professores ainda não é relevante para o país, porque não se acredita num método, numa didática para ensinar. Privilegia-se o ensino artesanal. Essa condição vai perdurar na Educação nacional, por muito tempo.

No final do século XIX, Intelectuais como Rui Barbosa e Benjamim Constant buscam novos caminhos para a Educação e levam seus pensamentos para o século XX.

O país vai acreditar na Escola, nesse momento. É preciso formar o homem brasileiro. Afinal quem é e como é o homem brasileiro? Será um representante digno para os demais países? Com a resposta negativa, busca-se uma nova escola. São manifestações isoladas, mas proeminentes.

Cordialmente,

Sílvia M L Mota.

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