Sobre a aula 6 e o documentário: "Da Servidão moderna"

Ainda que ancorado num extremo pessimismo, o conteúdo do documentário “Da servidão moderna” torna-se verdade eloquente, quando dirigimos um olhar provocativo à realidade circundante.

O documentário demonstra o status do ser humano frente às conquistas intelectuais do mundo contemporâneo: um escravo que, subjugado pela classe dominante, arrasta-se pelos corredores dos escritórios ou pelas alamedas esfuziantes dos shoppings, a mendigar desejos. A evolução intelectual que deveria proporcionar-lhe qualidade de vida, extravasa num aprisionamento irreversível – o consumismo.

Há de se reconhecer, que o conhecimento mudou a Sociedade, como se vislumbrou no início do Século XX. Nessa época, a Escola representava a esperança de democratização da Sociedade – uma Escola que buscasse a liberdade, para que o indivíduo almejasse e conquistasse uma Sociedade mais igualitária. No entanto, não se esperava que essa mesma Escola aprisionasse o indivíduo nas teias da desigualdade social. A revolução tecnológica provoca uma escravidão voluntária, da qual o ser humano não se pretende desvencilhar. Os novos grilhões são sedutores e, para satisfazer suas carências frente ao consumo, o indivíduo busca trabalhos que ofereçam rendimentos suficientes para saciar sua estranha modernidade. Quando não consegue, ou não aceita uma posição digna, por considerá-la insuficiente, corrompe-se. Dessa forma, torna-se verdadeiro animal domado, que não necessita pensar, pois arqueia a cabeça diante das ordens exaradas pela classe dominante. Finge que não enxerga a situação ou, então, por ser fruto de uma Sociedade consumerista, torna-se acrítico e se entrega ao aprisionamento das paixões que proporcionam prazeres fugazes. Permite-se explorar. Cega os próprios olhos e finge não compreender o alcance do mal ao qual se submete. Seu maior algoz deixa de ser o chicote de outrora e se materializa no desejo de consumo. Voluntariamente, perde a consciência do humano. E, a esse refrão, a desigualdade social se avoluma.

Nesses momentos, coloco em questão os valores advindos da revolução intelectual do ser humano, que parece não mais desejar, como em tempos de antanho, a própria alforria.

 

Cordialmente,

Sílvia M L Mota.

Exibições: 6

Respostas a este tópico

CLAUDIO BASTOS MERON NEVES em resposta a SÍLVIA MARIA LEITE MOTA

22 de maio 2015 às 10:25:06

O que dizer depois de palavras tão profundas e contextualizadas. Quanto ao pessimismo, vejo de maneira diferente, percebo como uma visão real e bem materialista dos processos que englobam as relações entre a sociedade e o mundo neoliberal. A realidade e pragmatismo como os fatos são narrados são típicos da sociedade cientificista que eclode após o bom positivista. Nós, como "LATINOS", CRISTÃOS TEMOS MAIOR DIFICULDADE PARA ENCARAR OS PROCESSOS DESTA FORMA, afinal, fomos forjados, enquanto sociedade sobre a égide da esperança......

SÍLVIA MARIA LEITE MOTA em resposta a CLAUDIO BASTOS MERON NEVES

22 de maio 2015 às 13:55:13

Caro professor,

No que diz respeito ao esforço dos profissionais da Educação para levar o indivíduo a estabelecer sua revolução humana, a Era Contemporânea é inquietante, desgastante e perigosa. Assemelha-se ao trabalho penoso de Sísifo, no inferno, a rolar, montanha acima, enorme pedra que, uma vez chegada ao alto, tomba novamente no fundo do vale. O ser humano, de modo geral, vê-se afogado nos próprios desatinos, mas reafirmo "o pessimismo", porque ainda acredito no potencial inerente ao ser humano, de ser livre e feliz.

Cordialmente,

Sílvia M L Mota.

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