AULA 3

O ÉPICO E SUAS FORMAS

 

 

TEXTO INFORMATIVO

TEXTO LITERÁRIO

A informação não pode sofrer transformações durante

o processo de leitura

O texto possui lacunas que

são preenchidas pelo leitor.

É o jogo entre leitor, autor e texto

 

O QUE É LITERATURA?

“Arte literária é mímese (imitação); é a arte que imita pela palavra.” (Aristóteles, séc. IV a.c.)

Assim:

  • Literatura como imitação da realidade;
  • Manifestação artística;
  • A palavra como matéria-prima
  • Manifestação da expressividade humana.

 

O que são gêneros literários?

 

Seria o exercício variado da própria literatura?

Seriam os modos como os textos literários são organizados?

Como seriam esses textos organizados?

 

A Literatura, desde sempre tem experimentado a necessidade de agrupar diversas formas de discurso a partir de estruturações tipológicas. Já era o caso de textos da Antiguidade greco-latinas que certas obras teóricas (como a Poética, de Aristóteles) propunham definir e classificar. É também o caso de obras mais modernas que, devido às necessidades editoriais ou da bibliografia, precisam ser identificadas. É isso que fazem os gêneros.

 

O VOCÁBULO GÊNERO

 

A palavra gênero não está reservada unicamente ao domínio estético nem, muito menos, ao da literatura. Trata-se de um termo do léxico que remete, de maneira geral, à ideia de origem tal como testemunha o equivalente do latim do qual ela deriva, genus, generis. Nesse sentido, segundo o qual designa “raça” ou “tronco”, é que a palavra foi empregada até a Renascença. Essa primeira definição (...) autorizou um desvio semântico, numa perspectiva mais filosófica, em direção ao sentido de reagrupamento de indivíduos ou objetos que apresentem entre eles características comuns. (STALLONI, 2003, p. 12)

 

Essa é a definição proposta pelo dicionário filosófico de Lalande:

“ Diz-se de dois objetos que pertencem ao mesmo gênero quando tem em comum algumas características importantes. “

Vocabulário crítico e técnico da filosofia, verbete “Gênero, Paris, PUF, 1985.

 

Dois campos do saber recuperam essas definições a fim de designar classificações particulares: a gramática, em que a palavra “gênero” permite distinguir categorias do masculino e do feminino (e eventualmente do neutro); e a literatura e a arte, que recorrem a esse termo para qualificar classes, assuntos ou modo de criação. (...)

A Literatura, por sua vez, obedece à mesma vontade taxinômica, esforçando-se por classificar as obras e os assuntos em função de critérios particulares. Sejam eles estilísticos, retóricos, temáticos ou outros. Esse é o território que constitui os gêneros literários. (STALLONI, 2003, p. 13-14)

 

A palavra gênero deriva do latim genus, -eris. Ela significa tempo de nascimento, origem, classe, espécie, geração. Portanto, gênero literário é um agrupamento de obras literárias que pertencem a uma classe, espécie, origem ou tempo de nascimento. É um conjunto de obras literárias, as quais têm, em comum, tempo e origem de nascimento.

 

PRINCIPAIS GÊNEROS LITERÁRIOS

 

Os principais gêneros literários são: lírico, dramático e épico.

 

A literatura, quanto à forma, pode se manifestar em prosa ou em verso. Quanto ao conteúdo da estrutura podemos enquadrar as obras literárias em três gêneros: o lírico, quando o eu nos passa uma emoção, um estado de espírito; o dramático, quando atores, num espaço determinado, representam, por meio de palavras e gestos, um acontecimento; o épico, quando temos um narrador (este último gênero inclui todas as manifestações narrativas, desde o poema épico até o romance, a novela e o conto.

 

GÊNERO ÉPICO

 

As epopeias caracterizam-se por serem anônimas e brotarem da alma dos povos jovens. São uma espécie de criação coletiva em que o poeta desempenha a função de rapsodo ou compilador. Os épicos gregos apresentam uma estrutura composta por quatro partes: composição, invocação, narração e epílogo. Na proposição dá-se o enunciado da obra, conforme; na invocação há o apelo aos deuses para que ajudem o poeta; a narração é parte central e mais extensa da epopeia. Contém relato minucioso das ações do herói, devendo obedecer a uma sequência lógica, mas podendo começar no meio; o epílogo é a parte final da narrativa, deve guardar um imprevisto, ser verossímil, coerente e conter um final feliz.

 

Ao contrário do gênero lírico, a épica caracteriza-se por conter um distanciamento entre o sujeito (narrador) e o objeto (mundo narrado). A posição do narrador é de confronto em relação àquilo que conta. Na épica primitiva alguém narrava um fato a um grupo de ouvintes, distanciando-se do acontecimento passado.

 

Na sua Poética, Aristóteles afirma que, segundo o objeto de mímesis, a epopeia ocupa-se com a ação das personagens nobres. Para ele, esse gênero assemelha-se à tragédia em alguns pontos, mas difere-se em outros. Ambas são imitações, porém variam na extensão e na métrica, podendo variar, também, nos modos, objetos, meios e modos. Na tragédia temos pouco tempo e dependemos de um espaço limitado, portanto, torna-se impossível representar muitas partes da ação desenvolvendo-se ao mesmo tempo, como ocorre na epopeia, podendo-se, na tragédia, mostrar apenas uma única ação sendo representada pelos atores.

 

Epopeia é um poema épico ou lírico. Um poema heroico narrativo extenso, uma coleção de feitos, de fatos históricos, de um ou de vários indivíduos, reais, lendários ou mitológicos. A epopeia eterniza lendas seculares e tradições ancestrais, preservada ao longo dos tempos pela tradição oral ou escrita. Os primeiros grandes modelos ocidentais de epopeia são os poemas homéricos a Ilíada e a Odisseia, os quais têm a sua origem nas lendas sobre a guerra de Troia. A epopeia pertence ao gênero épico, mas embora tenha fundamentos históricos, não representa os acontecimentos com fidelidade, geralmente reveste os acontecimentos relatados com conceitos morais e atos exemplares que funcionam como modelos de comportamento.

 

Os acontecimentos narrados, na epopeia, são históricos e situados num passado muito distante. Há, nas histórias, uma reunião de mitos, heróis e deuses. Abrange uma totalidade de acontecimentos. A epopeia é um gênero que apresenta valores de uma única classe: a aristocracia. Esta aristocracia cede os príncipes que vão comandar a guerra. Esses chefes vão desenvolver atos heroicos. Trata-se de um universo fechado. E quem são os comandados? Claro que é o povo, ou seja, a gente simples sem nenhum título nobiliárquico.

 

O herói épico

 

São os membros da aristocracia. Possuem uma linhagem, uma tradição. Além disso, aparecem, nas histórias, como grandes e fortes. O que caracteriza a epopeia é a motivação coletiva de todos os atos heroicos e da construção da imagem desses heróis.

 

O herói épico é aquele que agencia as dimensões real e mítica da matéria épica, ou seja, uma dupla condição: no plano histórico e no plano maravilhosos, ele integrar os dois planos, configurando a epopeia. Essas características vão sofrendo, de acordo com a concepção literária, evoluções tais como as evoluções dos próprios modelos épicos. Assim, é possível traçar um perfil do herói épico clássico, do herói épico renascentista, do herói moderno e pós-moderno.

No modelo épico renascentista, o perfil do herói continua praticamente o mesmo, o que muda é a sua atuação na dimensão mítica. Para ganhar a aderência mítica, o herói irá receber uma ajuda do poeta, que através dos episódios líricos, criados literariamente, opera a sua transfiguração mítica, legitimando sua dupla condição existencial.

 

Os lusíadas – Canto 1

 

1 As armas e os barões assinalados,

Que da ocidental praia Lusitana,

Por mares nunca de antes navegados,

Passaram ainda além da Taprobana,

Em perigos e guerras esforçados,

Mais do que prometia a força humana,

E entre gente remota edificaram

Novo Reino, que tanto sublimaram;

 

2 E também as memórias gloriosas

Daqueles Reis, que foram dilatando

A Fé, o Império, e as terras viciosas

De África e de Ásia andaram devastando;

E aqueles, que por obras valorosas

Se vão da lei da morte libertando;

Cantando espalharei por toda parte,

Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

 

10 Vereis amor da pátria, não movido

De prémio vil, mas alto e quase eterno:

Que não é prémio vil ser conhecido

Por um pregão do ninho meu paterno.

Ouvi: vereis o nome engrandecido

Daqueles de quem sois senhor superno,

E julgareis qual é mais excelente,

Se ser do mundo Rei, se de til gente.

 

11 Ouvi, que não vereis com vãs façanhas,

Fantásticas, fingidas, mentirosas,

Louvar os vossos, como nas estranhas

Musas, de engrandecer-se desejosas:

As verdadeiras vossas são tamanhas,

Que excedem as sonhadas, fabulosas;

Que excedem Rodamonte, e o vão Rugeiro,

E Orlando, inda que fora verdadeiro,

 

OBJETO, FONTE E FORÇA CRIADORA DA EPOPEIA

 

O objeto da epopeia é o passado heróico. Que passado é este? Ora, trata-se do mundo das origens, dos pais, dos ancestrais, o mundo dos primeiros e dos melhores. É um passado absoluto. É a única fonte de tudo que é bom para os tempos futuros. É, neste passado absoluto, que está mergulhada a história nacional. Ali estão posicionados os fundadores heroicos, os deuses e os melhores. É um passado muito distante do narrador.

A fonte da epopeia é a lenda. A memória é a principal força criadora. A epopeia resgata o passado porque é constituída de memória. Não importa a experiência pessoal. O que vale é a lenda nacional. Dessa forma, o texto épico está impregnado de mitos e lendas.

 

O mundo épico é totalmente isolado da contemporaneidade. A distância épica é absoluta. Há total afastamento entre o tempo da ação e o da narração.

 

COMPOSIÇÃO DA EPOPEIA

 

1- Exórdia ou proposição - introdução em que se apresenta o herói e o tema. Exemplo: Em "Os Lusíadas", principal epopeia da língua portuguesa, Camões apresenta, como herói o povo português.

2- Invocação - um pedido de inspiração às musas da poesia. Em Os Lusíadas, o pedido é feito às Tágides, ninfas do rio Tejo.

3- Dedicatória - O poema é dedicado a alguém; um rei, um protetor, um povo. "Os Lusíadas é dedicado a D. Sebastião, rei de Portugal.

4- Narração - Os fatos são narrados com ênfase nas peripécias do herói e nos acontecimentos históricos. É a parte mais ampla da Epopeia. Em Os Lusíadas, é a viagem de Vasco da Gama em direção à Índias.

5- Epílogo - Fechamento da Epopeia geralmente com a consagração dos heróis. Em Os Lusíadas, é o regresso triunfal dos portugueses com uma passagem pela Ilha dos Amores.

 

NARRATIVO

LÍRICO

DRAMÁTICO

Epopeia

Romance

Conto

Novela

Poesia lírica

Tragédia

Comédia

Drama

Predominância da objetidade

Predominância da subjetividade

 

Narra algo

Expressa algo

Apresenta algo

Prosa (verso apenas na Epopeia)

Verso (quase sempre)

Prosa ou Verso, mais representação de valores

 

 

Exibições: 3

Aniversários

Não há aniversários hoje

Fotos

Carregando...

Poema ao acaso

© 2017   Criado por Sílvia Mota.   Ativado por

Relatar um incidente  |  Termos de serviço