REVISÃO – AULAS 1-5

O QUE É LITERATURA?

O autor da obra “Introdução da Literatura” diz:

Eu diria que Literatura é mato. Quando vc olha para um terreno baldio e vc visualiza aquela massa verde vc diz: Aquilo é mato. Essa classificação é válida, por ser abrangente para solucionar naquele momento toda a tensão para decifrar.

A Literatura é aplicada a vários campos do conhecimento, porque pode ser considerada tudo aquilo que foi escrito.

O que é Literatura quando analisada sob o ponto de vista das Letras?

DENOTAÇÃO - É a linguagem informativa, comum a todos. Tem por objetivo expressar um conhecimento prático, científico. Neste tipo de linguagem, as palavras são sempre empregadas em sentido real.

Denotação: textos referenciais, técnicos, não literários; predominância do sentido literal. Ex.: artigo de lei.

A denotação é aquilo a que uma palavra ou expressão se aplica no seu texto. Normalmente, opõe-se à conotação. A palavra é utilizada com seu sentido comum (o que aparece no dicionário) dizemos que foi empregada denotativamente – SENTIDO LITERAL.

CONOTAÇÃO - É a linguagem afetiva, individual e subjetiva. Tem por objetivo a apreciação estética. Apresenta o uso da palavra no seu sentido figurado ou poético.

Conotação é a predominância do sentido figurado. Ex.: Seus olhos são duas esmeraldas.

A conotação remete para as ideias e as associações que se acrescentam ao sentido original de uma palavra ou expressão, para completá-las ou precisar a sua correta aplicação num dado contexto. Por outras palavras, tudo aquilo que podemos atribuir a uma palavra para além do seu sentido imediato e dentro de certa lógica discursiva entra no domínio da conotação – SENTIDO FIGURADO.

Linguagem Informativa - objetiva, apresentando dados precisos como, por exemplo, datas e nome de escritores. Trata-se de uma linguagem direta e impessoal. Não há nenhum tipo de exploração de imagens ou figuras de linguagem.

Linguagem Subjetiva - multiplicidade de significações, opondo-se a linguagem informativa.

Texto literário:

- texto conotativo: tudo aquilo que vai para além do seu sentido imediato – linguagem da multiplicidade – divagação - motivação dos sentidos – transforma a realidade.

O Texto Literário distingue-se, nomeadamente, pelo facto de transformar a realidade, servindo-se dela como modelo para a arquitetar mundos “fantásticos”, que só existem textualmente e que se estabelecem através da metáfora, da caricatura, da alegoria e pela verossimilhança. Residindo aqui a ficcionalidade patente no Texto Literário. Este é o elemento que mais o diferencia do Texto Não Literário.

Texto não literário:

- texto denotativo: linguagem informativa – objetiva – direta e impessoal - texto literal - ausência de figuras literárias – comprovado como verdade, na realidade – ação.

O texto não literário é informativo, objetivo. Ele apresenta uma linguagem denotativa, direta e impessoal. Está preso à realidade, a algo que pode ser comprovado como verdade. A nossa comunicação de todos os dias, ou seja, a nossa fala do cotidiano, com nossos amigos, com nossa família ou no nosso trabalho, é um exemplo de texto não literário. São textos que visam, apenas, a informação e a ação.

Assim como a música, a pintura e a dança, a Literatura é considerada uma arte. Através dela temos contato com um conjunto de experiências vividas pelo homem sem que seja preciso vivê-las.

A Literatura é um instrumento de comunicação, pois transmite os conhecimentos e a cultura de uma comunidade. O texto literário nos permite identificar as marcas do momento em que foi escrito.

As obras literárias nos ajudam a compreender nós mesmos, as mudanças do comportamento do homem ao longo dos séculos, e a partir dos exemplos, refletir sobre nós mesmos.

A PALAVRA:

A palavra é a matéria prima da Literatura. O autor oferece à palavra o contorno que desejar.

A palavra é uma situação dialógica, sempre: entre o autor e a realidade – entre leitor e autor, via texto.

A arte literária usa a palavra para representar o real. Não um real exato, mas um real determinado por um olhar. O discurso não dá conta, integralmente, do real. Portanto, a imitação do real efetiva-se segundo o olhar de quem o vê. A mimesis é a relação do signo com o real. Trata-se de uma imitação e não da cópia. Para os pitagóricos é a representação dos estados da alma. Para Platão, é a imitação da aparência da realidade: imagem da imagem – simulacro. Para Aristóteles, é a imitação das essências, conhecimento profundo do ser humano, revelação da plenitude do real.

Discurso literário: discurso que tenta dar conta da história.

Discurso histórico:  História é a vida de cada um.

Literatura e vida real se interpenetram. É discurso que muda o real.

UNIVERSO DAS REPRESENTAÇÕES:

MÍMESES: (Platão e Aristóteles) imitação (processo revelador) – é a relação do signo com o real. Tanto Platão quanto Aristóteles viam, na mimesis, a representação da natureza. Contudo, para Platão, toda a criação era uma imitação, até mesmo a criação do mundo era uma imitação da natureza verdadeira (o mundo das ideias). Sendo assim, a representação artística do mundo físico seria uma imitação de segunda mão. Já Aristóteles via o drama como sendo a “imitação de uma ação”, que na tragédia teria o efeito catártico. Como rejeita o mundo das ideias, ele valoriza a arte como representação do mundo. Esses conceitos estão no seu mais conhecido trabalho, a Poética.

CATHARSIS: termo grego que significa purgação. É o meio através do qual o Homem purifica sua alma, por meio da representação trágica. É a libertação promovida pela criação artística. Toda obra de arte opera no homem a catharsis, por que opera uma sensação de prazer, de plenitude – transformando o leitor, gerando uma sensação de abrandamento das emoções.

Mímeses gera catharsis – estão intimamente ligadas, porque uma boa imitação do real pode gerar uma gama de emoções no leitor, transformando-o. As revelações do processo mimético gera múltiplas interpretações do texto que possui uma linguagem em permanente estado de atualização.

O QUE É LITERATURA?

“Arte literária é mimese (imitação); é a arte que imita pela palavra.” (Aristóteles, séc. IV a.C.)

Assim:

  • Literatura como imitação da realidade;
  • Manifestação artística;
  • A palavra como matéria-prima
  • Manifestação da expressividade humana.

GÊNEROS LITERÁRIOS

Gênero – condição de se agrupar objetos, coisas, materiais, a partir das suas características intrínsecas - grupos específicos numa condição de irmandade.

A palavra gênero não está reservada unicamente ao domínio estético nem, muito menos, ao da literatura. Trata-se de um termo do léxico que remete, de maneira geral, à ideia de origem tal como testemunha o equivalente do latim do qual ela deriva, genus, generis. Nesse sentido, segundo o qual designa “raça” ou “tronco”, é que a palavra foi empregada até a Renascença. Essa primeira definição (...) autorizou um desvio semântico, numa perspectiva mais filosófica, em direção ao sentido de reagrupamento de indivíduos ou objetos que apresentem entre eles características comuns. (STALLONI, 2003, p. 12)

Principais gêneros literários

Épico – Dramático – Lírico

A literatura, quanto à forma, pode se manifestar em prosa ou em verso. Quanto ao conteúdo da estrutura podemos enquadrar as obras literárias em três gêneros: o lírico, quando o eu nos passa uma emoção, um estado de espírito; o dramático, quando atores, num espaço determinado, representam, por meio de palavras e gestos, um acontecimento; o épico, quando temos um narrador (este último gênero inclui todas as manifestações narrativas, desde o poema épico até o romance, a novela e o conto.

1 - GÊNERO ÉPICOEPOPEIAS – narrativa em forma de poesia – sequência de fatos históricos de um povo ou de uma nação – relato minucioso das ações do herói épico (mitológico – membro da aristocracia – possui linhagem, tradição - o mais forte, o mais perfeito – mítico – grande paradigma) - anônimas e brotam da alma dos povos jovens. Objeto da epopeia – passado. O mundo épico é totalmente isolado da contemporaneidade. A distância épica é absoluta. Há total afastamento entre o tempo da ação e o da narração.

Composição da Epopeia:

A- Exórdia ou proposição - introdução em que se apresenta o herói e o tema. Exemplo: Em "Os Lusíadas", principal epopeia da língua portuguesa, Camões apresenta, como herói o povo português.

B- Invocação - um pedido de inspiração às musas da poesia. Em Os Lusíadas, o pedido é feito às Tágides, ninfas do rio Tejo.

C- Dedicatória - O poema é dedicado a alguém; um rei, um protetor, um povo. "Os Lusíadas é dedicado à D. Sebastião, rei de Portugal.

D- Narração - Os fatos são narrados com ênfase nas peripécias do herói e nos acontecimentos históricos. É a parte mais ampla da Epopeia. Em Os Lusíadas, é a viagem de Vasco da Gama em direção à Índias.

E- Epílogo - Fechamento da Epopeia geralmente com a consagração dos heróis. Em Os Lusíadas, é o regresso triunfal dos portugueses com uma passagem pela Ilha dos Amores.

2 – ROMANCE – universo romanesco – individualidade e subjetividade. Elementos: narrativa – ponto de vista – personagens, tempo, espaço, enredo.

O romance é o espaço literário para expor as individualidades, as subjetividades. É o espaço onde se entrecruzam protótipos da vida real com toda a sua subjetividade. Trata-se de um tipo de discurso que revela o indivíduo nos seus mais variados aspectos.

A grande diferença entre epopeia e romance é a questão do tempo. A epopeia está presa ao passado. Ela vive de memória. O seu objeto de representação é o passado e a sua fonte está nos mitos e lendas.

O objeto do romance é o momento presente. A sua fonte, o dínamo propulsor da criação, são os fatos atuais. O romance não trabalha com memória, mas com registros atuais. Ele discute a contemporaneidade.

Enquanto a epopeia é um universo fechado, acabado, o romance é um gênero aberto e imortal. Ele vive em constante estado de renovação.

3 – CONTO – narrativa de formas variadas – marcado pela simplicidade – linguagem objetiva, concisa - tem apenas um clímax. Elementos: unidade, espaço, tempo, linguagem, estrutura. Mais sóbrio do que o romance.

Muita gente define o conto como sendo uma narrativa pequena. Mas a definição precisa não é esta. A chave para se entender o conto, enquanto gênero, está na concentração de sua trama. Não é possível falar de vários assuntos ou apresentar várias situações dentro de um conto. Ele trata, geralmente, de uma situação, a qual se desenrola sem pausas e sem recuos.

O seu foco é levar o leitor ao desfecho, que é, também, o clímax da história. É o momento com o máximo de tensão. Neste momento final, quase não há descrições.

No conto, deve existir um cuidado na seleção de tudo aquilo que será apresentado ao leitor. Tudo deve ser muito simples, sem grandes complicações psicológicas e sem grandes peripécias.

No conto, o passado e o futuro não interessam. O que conta é o momento presente. Por isso, a personagem esgota, em apenas algumas horas, todas as suas potencialidades. O leitor é o foco do conto. Ele tem que ser impactado pela história que vai ler. Para ser interessante, o conto tem que ter um tom que desperte no leitor uma única impressão, a qual pode ser: pavor, piedade, ódio, simpatia, ternura ou indiferença.

O conto sempre opera com ação. Não opera com caracteres. Isso, para despertar essa impressão única no leitor. Se a compreensão de um conto deve ser imediata, o leitor não pode se deparar com muitas metáforas. A linguagem, portanto, deve ser objetiva. Não há espaço para segundas intenções nas palavras. Não há espaço para obscuridades. As coisas são da forma como são ditas.

Elementos da narrativa:

PERSONAGENS - são os agentes da narrativa. Eles movimentam a trama, dando sentido às ações. Podem ser, quanto ao papel que desempenham no enredo, protagonistas, antagonistas ou personagens secundários.

TEMPO - sabemos que toda narrativa apresenta fatos que acontecem dentro de um fluxo de tempo - cronológico ou psicológico.

ESPAÇO - conjunto de elementos que caracterizam tanto o exterior quanto o interior. As ações das personagens podem acontecer tanto no espaço físico quanto no espaço psicológico.

ENREDO -  mesma coisa que trama ou intriga. É a sequência de fatos ou a forma como os acontecimentos estão organizados.

Textos narrativos:

Romance: é um texto completo, com tempo, espaço e personagens bem definidos de carácter verossímil.

Fábula: é um texto de carácter fantástico que busca ser inverossímil e a finalidade é uma lição de moral.

Epopéia ou Épico: é uma narrativa feita em um longo poema, ressaltando os feitos de um herói ou de um povo.

Novela: é um texto  intermediário entre a longevidade do romance e a brevidade do conto.

Conto: é um texto narrativo breve, e de ficção, geralmente em prosa, que conta situações rotineiras.

Crônica: narrativa informal, ligada à vida cotidiana, com linguagem coloquial, e humor e crítica.

Ensaio: é um texto literário breve, situado entre o poético e o didático, expondo ideias, críticas e reflexões morais e filosóficas a respeito de certo tema.

 

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